sexta-feira, 5 de abril de 2013

Viagem à minha Terra

Varandas do Hotel Eva - Faro, Vitor Vicente, Março de 2013

Chego tarde a esta crónica, como tarde cheguei a Portugal. Digo, um dia depois do previsto, após deitar-me tarde e tarde erguer-me. Demasiado tarde para chegar a tempo de levantar voo na direção de Lisboa.
Em vez de Lisboa, fui para Faro. A bordo, ninguém diria que o voo era para Faro. Quando muito, poder-se-ia levantar a hipótese Faro. Como se poderia aventar as hipóteses Málaga ou Malta. Ou mesmo uma qualquer dessas Canárias quentes para brancóide dar a ver-se em todo o seu provinciano e estúpido esplendor.
Bem vista a fauna de passageiros, os voos das terras dos brancóides para os paraísos meridionais pertencem àquele tipo de voos em que é mais fácil adivinhar a origem do que o destino dos ditos.
Dito isto, devo também frisar que foi fácil perceber que não havia mais ninguém a bordo com pinta de Português. Além daqui do encardido que vos escreve e que tantas vezes é confundido com a malta do Médio Oriente. Além da tripulação, toda ela tuga. Lá está, escurinho trabalha - incluindo eu, no tanto que se trabalha no acto de escrever - enquanto brancóide viaja - perdão, faz férias, pratica turismo.
Feita a viagem até Faro, almoçado no All´Garve, lá consegui chegar a casa no mesmo dia. A casa que é como quem diz a casa de meus pais. Cujas medidas têm  - como não me canso de dizer - o perímetro do meu país. 
Tudo isto a tempo de, na Terça-Feira, comemorar o aniversário de minha mãe. A tempo da ternura mais que tenra que só pode ser cultivada no meu conceito de família. Digo, de uma família digna.
Pelo meio, um par de amigos, entrecortados por uns copos. E uma odiável odisseia de burocracias. 
Até ver, tudo bem. Até voltar, um vendaval de dúvidas, um sem-número de sentimentos que só lembram a todas as pessoas de Fernando Pessoa. Até que se volte a aligeirar o alívio de aterrar.       

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