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domingo, 17 de junho de 2012
Viagística XIV
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Vitor Vicente
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Viagística
sexta-feira, 15 de junho de 2012
O Som e o Sagrado (Israel)
Praia de Tel Aviv, Vitor Vicente, Junho de 2012
Quanto mais curta uma viagem, mais dificil de dizer em poucas palavras. Os resumos não foram feitos para reproduzir realidades das quais, face à urgência e à falta de tempo, se requerem relatos rápidos. Realidades breves, fugazes como a própria vida.
Existem momentos que justificam toda a experiência da existência e do mundo. Por exemplo, momentos musicais.
Desta viagem a Israel guardo, sobretudo, sons.
Ao levantar o pano - ou, já que é um palco sonoro, no princípio da pauta - surge um saxofone. Ouvido, certa, noite, na esplanada de um bar de Jazz de Jerusalém. Sempre que o saxofone se sobrepunha ao contrabaixo, sacudiam-me duas ideias: a de que me encontrava além de Jerusalém e a de que, onde quer que esteja, em Jerusalém estarei. Simplesmente: estava suspenso no som do saxofone.
Do saxofone passamos ao silêncio. Sim, esse senhor, o silêncio, que é capaz de reduzir multidões ao mutismo. O silêncio, por sinal cerimonial, que ecoou, certa tarde, numa praia de Tel Aviv. Explico: estava aqui o escriba debruçado - precisamente - no papel quando, terminado o texto, pensou ter transformado a praia num deserto. A areia - sabe-se há séculos, senão mesmo há milénios - dos místicos é alada, anfíbia e sábia. E mais, consegue pôr toda a gente - nem que seja por gloriosos minutos - calada. Para que assim, assente na areia, se efective o real exilio da escrita. Também tida por termo da escravatura, escapada do Egipto - sem que não nos engasguemos e numa só palavra: êxodo.
Este silêncio voltou a ecoar, no dia seguinte, já na Europa - no coração do continente. No comboio que vai do aeroporto de Viena até ao centro da cidade, ouvi o silêncio dar as ordens que nem um maestro de orquestra. Noutro comboio, o citadino, ainda em Viena, era um regalo para os tímpanos ouvir os travões chiarem sempre que se chegava à proxima paragem. Entre uma paragem e a próxima, sempre o mesmo sonoro e silencioso aviso. Quem não desse pelas paragens, sentia que podia continuar neste comboio - continuamente, para sempre.
Para sempre - pois nunca de lá saímos - voltaremos a Israel. Com ou sem "kipah", era sempre saudado com um "Shalom". Saudação que, por não conseguir dar seguimento em hebraico e depois de uma sequência de embaraçosos silêncios, deixei de repetir. À despedida, todavia, lá soltava um tímido "Todá".
Despedida? Todas as viagens a Israel são só de ida. Despedir-se é só dar ínicio ao próximo regresso.
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Vitor Vicente
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O Som e o Sagrado
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Diáspora de Dublin XIV
Canal do Portobello, Vitor Vicente, Maio de 2012
Portobello. Porto donde nunca parti e onde agora regresso. Canal, quase-cais, cidade chamada Dublin que ainda não conheço, nem me conhece, nem me chama pelo nome. Cidade que, tantas vezes, tem sido o meu trampolim para ir em frente, para Frankfurt, e de Frankfurt chegar a outro lugar.
Portobello. Ponto de partida para, passados dois anos da chegada à cidade onde já devia ter chegado há quase seis, reconstruir o dia-a-dia dublinense a partir de outra formatação que não a da realidade do bairro de Rathmines.
Como se não houvessem outro olhos que não os nossos. Como se nos fosse permitido outrar outra coisa que não os próprios olhos. Como se as cidades pudessem ser de papel de cenário para o cidadão comum e não só património exclusivo dos sonhadores e dos sonâmbulos fora de horas.
Daqui a uma semana, sigo viagem para Israel. Só de ida, pois viagens para Israel só têm ida, não incluem saída.
Sei que não actualizo aqui a Diápora há mais de um mês. Tenho andado ocupado a adaptar-me à ideia de regressar a uma realidade onde nunca residi.
Não me vou perder em pedidos de desculpas. Vou aproveitar o sol. A luz. O teu sorriso solar. O nosso céu. Essa mesma nuvem-navio que sobe e desce um canal que é só meu e teu.
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Vitor Vicente
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20:43
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Diáspora de Dublin
domingo, 1 de abril de 2012
Viagística XIII
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Vitor Vicente
às
18:45
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