sábado, 21 de janeiro de 2012

Viagística XII

Calle Florida - Buenos Aires, Vitor Vicente, Fevereiro de 2009

A nenhum país é possível o regresso. Todas as despedidas são definitivas.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Que horas são em Haaretz? VI

Memorial dos Judeus deportados de Tromsø - Noruega, Vitor Vicente, Agosto de 2010

Sento-me na cafetaria da Marks & Spencer. Não peço mais que um Croissant com manteiga e um café mocha. O resto da refeição fica por conta da realidade. No caso, o desfile das domingueiras pessoas pela Grafton Street.
Pergunto-me se estas pessoas já abençoaram as suas vidas. Assumo que algumas delas ja o fizeram, algum dia, alguma hora. Algures durante a sua vida, diante de uma dessas experiência-limite em que a lucidez ocupa o lugar da loucura e vice-versa.
Aposto que poucas destas pessoas fazem da benção um exerício, sequer uma prática quotidiana. Até me quer parecer que estas pessoas são demasiado profanas para se ocuparem com exercícios em que envolva o Eterno. Mas não me apoquento com os rituais que os outros não realizam. Não vim à cafetaria da Marks & Spencer para evangelizar ninguém. Nem terei tal intuito quando terminar este texto e o café, e saia à rua.
Basta-me a lição da "Lista de Schindler",  a que acabo de assistir. O homem que salvou vidas e pôs o risco a sua, esse homem não precisa de escrever um livro, ter um filho ou plantar uma árvore. O nome de Schindler são todos os nomes da Terra Prometida, são todos os nossos nomes. Todos somos descentes de Schindler. Todos os que lhe temos uma dívida, a maior das dívidas: a vida.
Não vale a pena sair à rua e perguntar a estas pessoas: que horas são, Hoje, em Haaretz? Só Schindler sabe. Saberá sempre.

Viagística XI

Os transeuntes da Grafton Street - Dublin, Vitor Vicente, Janeiro de 2012

Já não leio mais jornais. Na verdade, jamais li jornais. Tenho preferido inventar viagens verdadeiras a que me impingem o mundo dos mascarrados - dos mascarados. 

domingo, 8 de janeiro de 2012

Com a de-vida distância VI

Aviva Stadium - Final da Liga Europa em Dublin, Vitor Vicente, Maio de 2011

O "Portugueto" sai para as ruas de Dublin sempre que há "derby" lá na "Lusolândia." É o pretexto mais que perfeito. É vê-los com o cachecol do clube do coração. É vê-las a acompanhar os respectivos como acompanharam na mudança de nação.
Bebem pints, imperialmente ou de fininho consoante as cores clubísticas. Mas todos gostam à brava é das Irish Girls que, ao contrário dos idos tempos no Allgarve, não lhes fazem olhinhos, nem lhes dão bola.
Por isso, e para descanso das consortes, o melhor mesmo é concentrar-se na bola.
Portugal em peso. Sem olhar à conta, nem com meias medidas. Repetem rituais como se continuassem no café da esquina. Nem deixam em casa os comentários racistas contra o "cabrão do preto que, foda-se, com um caralho, que o palhaço do treinador, palhaço pá, mandou marcar a porra do penalti". 
Alguns preferem nem ver o penalti. Aproveitam para, fora das quatro entrelinhas do terreno de jogo, galarem as "Irish Girls" que, já sem a leveza e o desprendimento de quem está de férias, não lhes passam cartucho, nem cartão.
Cartão acaba de mostrar o árbito. Cartão amarelo. Amarelo como o único sorriso que consigo esboçar durante os noventa minutos em que volto a Portugal com a de-vida distância.
 

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