domingo, 6 de novembro de 2011

Diáspora de Dublin V

Grafton Street - Dublin, Vitor Vicente, Março de 2011

O Poeta (Pessoa, se não me falha a memória) terá dito que o melhor do mundo são as crianças. Pode ser que assim seja em todo o mundo, menos nesses país infantil que é a Irlanda. Em que as crianças, debaixo do nariz complacente dos pais, correm pelos pubs, como se fossem pistas olímpicas.
E mais não digo, para manter a honra do convento e o bom nome da Diáspora.

Viagística VIII

 Tren Patagonico - San Carlos de Bariloche-Viedma, Vitor Vicente, Fevereiro de 2010

Socorremo-nos das salas de cinema para viajar às terras que se perderam no tempo e a que faltam meio de transporte para podermos voltar.

sábado, 5 de novembro de 2011

Variações sobre Velhas Viagens V

O Inverno de Cluj-Napoca, Vitor Vicente, Janeiro de 2009

Chegámos a Cluj-Napoca a altas e avançadas horas da noite. Deixadas as armas e as bagagens no Hotel Transilvânia, ao cuidado de um recepcionista muito magro, Olívio de seu nome, e que durante dois dias só vimos comer maçãs, deixadas as ditas, fomos à cidade para comer qualquer coisa.
Estava tudo fechado. O único estabelecimento aberto era um supermercado. Às cegas, como quem não sabe a coisa, comprámos um par de pães embalados.
Cá fora, assim que mordi o primeiro pão, praguejei um palavrão. O meu colega perguntou-me se não gostara do pão.
- Não. É que não tem nada dentro. Pão com pão. Pão.
Desatámos a rir. Eu acabara de ecoar um velho atleta do ginásio, dos anos da adolescência e que tinha por hábito involuntário acabar as frases como as começava. Por exemplo, se lhe perguntassem pelos músculos que iria trabalhar na sessão de hoje, o rapaz diria "Peito e bícep. Peito." Quem diria que, passados todos estes anos e tão longe, as suas famosas deixas se fizessem ouvir na Transilvânia?
Estávamos ainda a rir. Nem conseguíamos comer os pães. Naquele momento, toda a Roménia se resumia ao riso.

Viagística VII


Baía de Tromso - Noruega, Vitor Vicente, Agosto de 2010

Todos nós já tivémos um dia em que a rotina nos cortou a respiração. Precisámos de um outro país como de um pulmão.

O meio de transporte mais tradicional e mais moderno é o balão de oxigénio.

Não há pior agonia do que a asma de ter de ficar em casa.
 

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