terça-feira, 25 de outubro de 2011

Ir à Índia I


Falta mais ou menos um mês para ir à Índia. Irei com dois amigos. Estranho. É a primeira vez que viajo com mais de uma pessoa. Na verdade, já viajei  com os meus pais. Mas não conta para a estatísica, nem para esbater esta estranha forma de viagem. Considero os meus pais uma só pessoa. Mais, considero os meus pais o meu país. Operação tão simples como trocar os pontos aos is.
A Índia é o país exótico por excelência. Comparamos à Índia tudo o que seja misterioso, místico, tudo o que tenha traga como uma aura ou que se cubra com uma leve névoa. Como se na Índia todas as ilusões fossem possíveis pelo simples motivo de sucederem na Índia.
Simples, sim. Certamente mais simples que as nossas Índias interiores. Índias isoladas como uma ilha. Índias insondáveis, intransmíssiveis.

Viagística III


Guangzhou, ex Cantão, China - Times Square, Vitor Vicente, Setembro de 2011

Americans are never abroad. All is America.

(P.S. Este apontamento não tem tradução para Português, nem para Inglês que não o Inglês Americano. Muito menos é inteligível aos mentecaptos, aos anti-americanos primários e afins).

E por que não Poesia? I



Poema: C. B. Kavafy
Música: Vangelis
Leitura: Sean Connery

Com a de-vida distância I


Dublin - Rathmines, Vitor Vicente, Julho de 2010

Alguns amigos, os verdadeiros e afirmativos, aqueles a quem o ciúme pela alegria alheia jamais vem ao de cima, costumam comentar comigo no quanto fiz bem em "ter cavado deste buraco". Eu concordo - claro. A única maneira de sair de um buraco é cavar o próprio buraco. E abrir buracos dentro do próprio buraco. Até criar um complexo e sofisticado sistema de transporte inter-buracos.
Através desse meu buraco, vou vendo o que se passa em Portugal, no mundo - por aí fora. Sem fios, sem cabos (eu disse que o meu buraco era sofisticado), sobretudo pelo Facebook, tento perceber como é o Portugal de agora. Por vezes, parece-me que ainda foi ontem que me fui embora. Outras vezes, parece-me que foi há bastante tempo, que devo estar enganado e que nunca vivi senão aqui.
Pasmo-me em como poderia participar, hoje, dessa paisagem. Até que ponto poderia fundir-me ou destoar dela. Penso, penso demais. Divago, como quem viaja sem rota, nem aurora. Nada concluo, a não ser que tudo seria diferente, que eu não seria quem sou agora, que eu não veria as paisagens com os olhos de quem foi embora.
Por ora, sei que escondo-me, logo existo. Eis o silogismo do exilado. Não assisto a nada à distância de Dublin. Vejo tudo com a de-vida distância.
 

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