quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Lições da Índia - Nada

Goa - Junto a uma Igreja Portuguesa, Vitor Vicente, Dezembro de 2011

Nunca conseguiremos pesar o nada enquanto não tivermos o nada dentro de nós. Podemos, quando muito, medir a olho o quanto vale uma vida quando nada se tem a perder.
Ainda que à distância, vale a pena a ver: as crianças que dormem, desnudas, à porta da igreja ou na rua; a mãe que segura o bebé com um braço e com o outro pede pão; os enfermos que se movem a quatro patas ou que quase rastejam; as portas abertas do hospital de leprosos. 
São vidas, são ainda vidas. Vidas vencidas pela própria vida. Vidas que, quando e assim vistas, me fazem valorizar a minha e a tua vida. Vidas desprovidas de direcção, sem terra à vista onde sonhar por uma outra sorte. Sem saúde. Sem a chance de abençoar a dádiva divina que é a vida.
Divida-se a Índia entre pessoas pobres e principes podres. Detesto, e sempre detestarei agudas discrepâncias sociais. Mesmo que continue a ter o privilégio de poder aterrar e partir da Índia em Business Class, mesmo que me tenha movido de táxi em Jaipur, Agra, Deli e Goa. Odeio fossos destes. Odeio, odeio. 

P.S. A foto não retrata a muita miséria de que trata o texto. Há realidades tão violentas que me recuso a fotografar.  Não, não sou mais um europeu que fotografa os indianos como se fossem bichos do pântano, como se a Índia fosse um imenso zoo a céu aberto. 

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